Que você diz que eu sou acordes

Você se contradizia e eu também A7M Você sempre me aponta Que quando eu discordo G#7 Lembro que eu estou na ponta Que sempre que eu me deito C#m7 Volta aquela pergunta Se eu quero a liberdade F#7 Ou ter você só pra mim A7M Não foi normal G#7 Não fiz por mal C#m7 Sem desastres F#7 A vida é tão igual A7M Diz pra mim que hoje não dá pé G#7 E diz que amado sou Am Sem que eu me sinta assim Dm Diz que forte sou Bb Quando há fraqueza em mim F Am E que seguro estou se frágil me sentir Dm Bb E que não estou só pois eu pertenço a Ti F Eu creio sim (creio) Am Creio sim (sim) Dm Em que diz sobre mim (creio) Bb Creio sim. Parte 3 Tom: E (com acordes na forma de C) Capostraste na 4ª casa Intro: G G Você diz que eu te assusto Bm Você diz que eu te desvio F Também diz que eu sou um bruto C E me chama de vadio G Você diz que eu te desprezo Bm Que eu me comporto muito mal F Também diz que eu nunca rezo C Ainda me chama de animal G Você não tem medo de mim A Você não tem medo de mim F Você tem medo é do amor C ... d c#m7/5-f#7/5+ bm vocÊ diz que me esqueceu mas eu , sei lÁ am d7 g7+ nÃo É isso que eu vejo em seu olhar em7/5-f#m7 vocÊ me mandou embora , diz que nÃo gosta de mim b7 em a7 d mas eu sei que esse adeus nÃo É o fim c#m7/5-f#7/5+ bm toda vez que outra pessoa te beijar am d7 g7+ vocÊ vai fechar os olhos e lembrar em7/5-f#m7 dos momentos de loucura , do calor dos braÇos meus b7 em a7 ... asta convidares que Eu vou lá ter Assim que disseres: Vem, vem! Estarei ao teu lado com o meu Pai também. 3. AGRADECE A DEUS Ré Mi Agradece a Deus Sol Ré Pela vida* que te deu Mi Pára, romeiro e louva a Deus Sol Ré Pela vida*, louva a Deus *amor, fé, força, sonho, terra Ré Lá– Ré Por cada passo que dás La– Fá Como eu sou a consequência, Inevitá- vel de você Quanta gente existe por aí, Que fala tanto e não diz nada, Ou quase nada Já me utilizei de toda a escala, E no final não sobrou nada, Não deu em na- da E voltei prá minha nota, Como eu volto prá você Vou cantar com a minha nota, Como eu gosto de você E quem quer todas as notas, Ré ... G B7 Quem é que liga no meio da noite Em Diz que está sozinha G7 C Quem é que nos meus braços fala que é só minha D7 G D7 E chora de emoção na hora do prazer G B7 Porque será que você não assume Em Que eu sou seu homem G7 C Porque o tempo todo fala no meu nome D7 G G7 Confessa que você não sabe me esquecer C Tem nada a ver D7 G ... Aprenda a tocar a cifra de Diz (You Say) (Gabriela Rocha) no Cifra Club. Diz que amado sou / Sem que eu me sinta assim / Diz que forte sou / Quando há fraqueza em mim / E que seguro estou / Se frágil eu me sentir / Que não estou só / Pois eu pertenço a Ti / Eu creio sim, eu creio sim / No que diz sobre mim Eu sou melhor que você mas por favor fique comigo que eu não tenho mais ninguém Todo mundo diz que sabe e quando diz que não sabe é porque é charmoso não saber algo que as pessoas já sabem como é Todo mundo é original, é especial, é o que todos queriam ser Não basta ser inteligente, tem que ser mais do que o outro pra ele te reconhecer Welcome Offer: 80% OFF on annual membership of Ultimate Guitar Pro Try Now. ultimate guitar com

Algumas dicas que podem ajudar a conseguir ou manter um emprego.

2020.01.09 15:09 exsoldierakechi Algumas dicas que podem ajudar a conseguir ou manter um emprego.

Aviso post longo! Edit: Obrigado pelos silver ninja!
Colegas do reddit, tinha feito esse post na bolha mas como alguns comentaram pedindo pra trazer pra cá no tópico que fiz sobre a recepção deles lá ( https://www.reddit.com/brasilivre/comments/em3aas/a_bolha_%C3%A9_foda_mesmo_achei_que_era_exagero_mas/ ) Resolvi refazer o post aqui.
Talvez eu troque algumas palavras pois apaguei o post lá de desgosto, mas a idéia é postar aqui e talvez ajudar um ou outro que esteja precisando, as vezes dá uma força extra, vou adicionar alguns pontos que não adicionei antes que podem ajudar.
Lembrando que não sou do RH, trabalho direto na produção e faço a seleção de novos funcionários ou passo direto pra direção quando precisa ter alguma demissão, meu cargo é o intermediário entre um gerente e um diretor, a empresa tem cerca de 100 funcionários e não é nenhuma multinacional. Também acompanho contratações de pessoal pro administrativo ou dou sugestões e afins, então acompanho alguns casos. Boa parte das empresas que não são gigantes não tem um "RH" pra fazer contratações, afinal quem sabe a necessidade real da produção e o perfil necessário é quem tá todo dia no chão de fábrica.
Também vou comentar alguns empregos que você pode conseguir com pouco/nenhum investimento que podem dar retorno e tem uma demanda alta no mercado.
Alguns desses pontos pra você pode parecer discriminação, ou reclamação gratuita, mas eu não vim dizer que tá certo ou errado, só como é pela experiência nesse e em outros trabalhos.Bora lá!
Procurando emprego:
-Se você se formou depois dos 17 anos no ensino médio, é jovem e está procurando emprego, saiba que algumas portas já se fecharam pois isso pode ser mal visto por alguns patrões como preguiça ou falta de interesse, lembra quando os pais mandavam estudar? pois é. Então se você é jovem ou adolescente, corre atrás e vá estudar! Meu patrão mesmo já diz "se não quis nem estudar, quanto mais trabalhar pra valer".
-Acorde cedo. Se esforce e mantenha apresentável, vá em empresas e lugares que ninguém foi, mesmo que um pouco mais afastado. descubra onde é o polo industrial mais próximo da sua casa/cidade, vá até lá e veja quais são as opções. As vezes você pode dar sorte. Já tivemos muitos jovens que nem olhamos o curriculo com remela na cara as 11 da manhã e todo desleixado de chinelo entregando curriculo. Sei que tá dificil e desmotiva alguns, mas não desmotivar é o que te torna diferente e faz ser visivel a diferença só de olhar pra você.
-Tenha boas referências. Considerando a era que estamos é quase certeza que seu facebook vai ser visto. Nenhum empresa quer um funcionário que posta conteúdo racista e agressivo, um detalhe particular que minha empresa se encaixa é que ela corta automaticamente quem posta que bebe demais domingo a noite. Pois já tivemos vários problemas com funcionários faltando segunda feira por estar "com dor de cabeça".
-Empregos com insalubridade. Algumas pessoas podem ter receios mas boa parte deles tem uma demanda alta por novos funcionários e seguindo todas normas de segurança, você não vai ter risco algum ou quase nulo. Além do adicional que pode variar de 10 a 40%. Vale lembrar que isso não se aplica a todas as vagas.
-Saiba com quem falar. Observe a empresa, quando for entregar um currículo abra o site dela no celular, da pra ter noção do tamanho só de ver as fotos ou se a mesma nem tiver um site. Se for uma empresa pequena, tente falar diretamente com alguém responsável, seja simpático mas não force a barra, pois as pessoas costumam estar ocupadas, mas com sorte elas tem ali 1~2 minutos pra falar com você. Não esqueça de agradecer pela pessoa pegar o currículo ao menos olhando ela nos olhos e não aquele "bigado" já saindo andando.Isso é muito mais fácil em coisas do tipo mecânica, eletricista, borracharias e outros comércios com trabalho mais puxado, pois costumam ter poucos funcionários e geralmente é só o dono e mais um ou dois.
-Olhe o crachá das pessoas. Caso entregue um currículo ou qualquer coisa do tipo pra uma recepcionista, porteiro ou afins, olhe o crachá da pessoa se possível e diga "bom dia, fulano", "obrigado fulano" e "conto com você fulano" quando se despedir. Isso cria um vínculo mesmo que leve e a pessoa vai se lembrar melhor. Além do psicológico do "conto com você" dar uma motivação extra involuntária. Tratar as pessoas como pessoas e não como uniformes ajuda bastante.
-Pegue empregos indesejáveis. As vezes você se formou em algo como ciência da computação mas só tem emprego vago no McDonalds? Paciência, emprego é emprego, e as contas não perguntam de onde vem o dinheiro mas tem que ser pagas de qualquer forma. Não é humilhação servir os outros, e é algo que até mesmo diretores de empresa tem que fazer as vezes.
-Está dificil, mas não impossível. Você procurou em todos lugares? tem disponibilidade pra ir pra longe? foi em LITERALMENTE todos os lugares possíveis? Ficou de olho naquele Subway ou Burguer King que acabou de inaugurar? viu algum canteiro de obras mais informal ou alguém construindo uma casa num bairro afastado? Vale a pena dar uma conferida, o que você tem a perder?
-Seja oportunista da forma certa. Pode parecer pesado mas infelizmente se alguém sai, outro precisa entrar. Se alguém perder o emprego existe uma boa chance de a vaga dessa pessoa estar disponível. As vezes não era o perfil dela, ou ela arranjou algo melhor. Vale a pena falar com a pessoa se tiver a abertura pra isso.,meu cunhado arranjou um trabalho de garçom após ir na despedida de um amigo que foi morar no exterior dessa forma.
Dicas pro currículo:
-Adicione o campo de estado civil e idade. As vezes uma empresa pode querer um perfil de funcionário específico. Minha empresa contratou um jovem essa semana pois precisavamos de pessoas dispostas a aprender um trabalho do zero que não da pra aprender em cursos por aí. Então não podiamos pegar ninguém mais velho pra não trazer vícios de outros empregos. Por outro lado, pra uma função de maior confiança, a contratação foi de um pai de família pois por ele ter dependentes, ele arriscaria menos tomar decisões que pudessem causar uma demissão. Se está certo ou errado eu não sei, mas eu sei que na hora de desempatar são coisas que contam.
-Se você não tem vícios, escreva "Sem Vícios". Mas não faça isso se você bebe/fuma/usa drogas, pois quando descoberto pode causar vários problemas. Algumas empresas que trabalhei tem isso como um diferencial na hora de desempatar. Minha empresa por exemplo trabalha com produtos inflamáveis então se você fuma, seu "intervalo" pra isso acaba sendo maior por precisar sair das dependências dela pra isso por exemplo.
-Não encha linguiça. Aqueles campos que o povo adiciona objetivos, seja direto e claro. Não fique com textinho "Garanto desempenhar minhas funções com dedicação e bla bla bla" Porquê não adiciona em nada e 90% dos casos sabemos que você nem lê aquilo, quanto mais nós.
-Saiba destacar seus pontos fortes. Se você tem horários flexível, consegue trabalhar sob pressão, pontualidade e afins, adicione em um campo com seus talentos. Não force a barra pra não parecer exagerado, apenas 2 ou 3 pontos que você enxerga em você. Um dos maiores diferenciais em alguns empregos em empresas um pouco maiores que pode colocar é "facilidade em observar soluções pra problemas comuns" caso você de fato consiga fazer isso (e não seja pau no cu com isso caso contratado, saiba falar).
-Muitos empregos curtos em sequência sem crescimento mancham seu currículo. Como vão contratar alguém que ficou 6 meses em cada lugar, 4 lugares diferentes seguidos, em empregos "de entrada/mínimos"? Se você não conseguiu manter um emprego além do período necessário pra coleta de benefícios do governo, em alguns lugares isso pode afetar. Me lembro de ver um currículo uma vez e dizer "caraca, esse cara tem muito experiência" e o dono só comentar "ele tem é pouca estabilidade... olha a data de entrada e saída de cada lugar que trabalhou e o tempo de intervalo entre eles." Cada caso é um caso mas isso pode influenciar.
-Se você está disposto a trabalhar fora da sua área, marque isso no currículo. E omita algumas qualificações que não adicionam muito, dito isso;
-Tenha 2 currículos diferentes. Um pra sua área de formação/pretenção e um pra uso geral. No de uso geral você não vai adicionar "domínio de javascript" por exemplo pois um chefe de padaria não vai nem saber que porra é essa e vai achar que você é um universitário super caro e não alguém desesperado. Saiba quando e onde entregar cada currículo.
-Sempre tenha um currículo quando possível. Nunca se sabe quando você vai dar um rolê no shopping com alguém e vai ver um "procura-se". Não é vergonha aproveitar uma chance, e se estiver com um namorado(a)/marido/esposa/etc , ela deveria dar total apoio pra você aproveitar uma parada rápida. Está com mochila/bolsa? Curriculo dentro.
-Se você tem filhos, adicione "Casado, com filhos". Isso aumenta em alguns casos a questão da confiança de você querer manter o emprego, e em um eventual corte (como já ocorreu em um emprego anterior) o patrão falou "já que vamos cortar, corta quem não tem filhos antes..." Já me disseram que isso é ilegal mas independente disso, PODE acontecer.
-Mantenha o currículo em bom estado, sem amassados, com escrita decente, fonte clara (Arial ou Verdana) e sem firulas demais.
-Se inscreva em agências regionais e sites,mas não se prenda a eles.
-Quanto mais tempo você fica parado, mais dificil é arrumar trabalho, tenha isso em mente e não desista, não é impossível.
Dicas pra entrevista
-Não se atrase. E não adianta reclamar que o entrevistador atrasou ou como isso é injusto. Ele também tá errado mas ele já ta com o dele garantido. E você nunca sabe o motivo pelo atraso. Eu mesmo já atrasei uma entrevista em 40 minutos pra resolver um problema urgente de um cliente que trouxe uma economia de 300 mil pra ele. Você vale 300 mil pra empresa? O candidato perdeu a vaga por surtar com o atraso.
-Se vista adequadamente, fale adequadamente, seja simpático e sincero. Não force ou seja falso só seja você mesmo. Uma dica é falar como se estivesse falando com um professor que está corrigindo sua prova. Ele não tem motivos pra ter raiva de você mas ele espera seu melhor pois ele quer você ali, se tudo começar a sair uma merda, ele não vai ter interesse.
-Não dê respostas prontas pra perguntas prontas, não tente aumentar histórias, ser inconveniente ou enrolar o cara. pra cada entrevista que você vai o entrevistador faz 10x mais e vai te bater por simples experiência. Não diga que sabe algo que não sabe.
-As vezes ele não vai com sua cara, e não vai te contratar, as vezes por bons ou maus motivos. Mantenha a porta aberta e seja educado ainda assim, e "te ligamos" não é um não disfarçado sempre. As vezes a pessoa tem mais de uma boa opção e precisa analisar as opções.
-Se prepare. pesquise a empresa, o site, leia relatos em sites como Glassdoor e LinkedIn, saiba sobre o lugar que vai trabalhar. Você vai passar ao menos 1/3 do seu dia lá dentro.
Dicas após contratado:
-Não se atrase, não falte, não enrole, faça seu trabalho. Não tente ser esperto, não vacila!
-Não é porque existe "atestado médico" que a direção é troxa e não sabe que você está abusando. Use com bom senso pra não ficar queimado.
-As vezes você vai fazer coisas que não são da sua área. Isso faz parte e muitas vezes não é ideal, mas 5 minutos a mais no fim do dia quando você vê seu chefe carregando algum material urgente ou precisando imprimir alguma coisa e levar em outro setor urgente não vão te custar nada e dão destaque. Só não pode ser algo diário, mas em exceções é o que faz a diferença.
-Aprenda sobre o trabalho dos outros. Se você tem flexibilidade pra andar por outros setores, falar com funcionários (falar, não enrolar), observe o trabalho, pergunte como faz, se mostre interessado. Ajude o setor que empacota a fechar caixas, passa durex, da uma força. São esses funcionários que fazem a diferença. Vale lembrar que isso não se aplica a todas vagas ou lugares. Na empresa onde trabalho a moça que entrou com salário de 700 reais como recepcionista 15 anos atrás hoje é a administradora geral que cuida de todo escritório, RH e financeiro, e tem salário de mais de 6000 só com uma graduação de adm, e um dos pontos que ela sempre comentou foi "no final do dia eu anotava tudo que fiz no dia em um caderno e tudo que ia ter pendente no dia seguinte, assim eu sempre sabia o que precisava e um dia tinha uma informação crítica aqui que passou despercebido por uma das vendedoras. Fui promovida na hora".
-Nunca dê 100% de si, dê 90%. Assim quando a empresa passar por uma correria, ou aperto, você pode dar 100% sem se desgastar e pode fazer a diferença.
-Aproveite as oportunidades de horas extras quando puder. Além do dinheiro extra, você se mostra alguém comprometido.
-Não fique pendurado no celular, enrolando no banheiro, ou fazendo coisas que claramente você perde tempo. Ninguém é burro de não perceber a longo prazo. Caso tenha necessidade disso por emergência ou dor de barriga, discretamente comente com um superior ou alguém responsável como "nossa, comi alguma coisa que pesou, seloco" ou algo do tipo. Ou se está esperando o contato de alguém importante.
-Siga as regras. Não roube materiais da empresa pois você vai se queimar nela e em várias oportunidades futuras. Não assedie os/as colegas de trabalho, não importa o quão bonito/a ele/a seja. Mantenha o profissionalismo (E se a empresa autoriza relacionamento entre funcionários E for reciproco, mantenha fora do local de trabalho).Não grite por mais que seu chefe grite ou aja igual babaca, mantenha o nível, saiba respeitar e exija respeito.
Dicas de bons empregos pra se procurar:
-Professor de Inglês : boa parte do reddit ao menos tem um inglês razoável. Se você consegue falar bem e explicar a um nível aceitável, Escolas de inglês SEMPRE estão procurando professores. E eles vão te treinar totalmente sobre como fazer isso. Escolas mais fuleiras (como a DataByte ou Microlins) costumam pagar entre 10 e 15 reais a hora, e em minha entrevista ele estava tão desesperado que não tinha ninguém pra fazer a entrevista em inglês e só pediu pra ler 2 paginas de um livro e já era. Em escolas intermediárias (PBF, CNA, etc) o salário pode ser de 12~18 reais por hora (alguns sendo registrado por dias, como empregos convencionais) e a entrevista geralmente é um teste escrito e uma curta conversa. Em escolas de mais nome (Cultura Inglesa, Wizard-onde trabalhei-) O salário inicial é na faixa de 18~19 reais a hora, após 6 meses se dedicando é normal te darem turmas pra cargas de até 100~120 horas mensais caso você tenha interesse. Isso sem experiência anterior, sem certificado ou requisitos absurdos, só saber falar e explicar, e eles ainda te dão curso/treinamento completo caso precise sobre postura em sala, liderança e afins. Quando saí de lá após 4 anos já tinha salário de 26 reais a hora, MUITOS contatos com ex alunos, colegas e pessoas legais e ajudou muito no crescimento profissional. Nada mal pra um emprego que não exigiu experiência, todo semestre tinha 2~3 contratações e um ambiente extremamente aconchegante e animado de trabalho(porém puxado). Muitos colegas tiveram seu primeiro emprego lá e acabaram pegando amor pelo trabalho e hoje são excelentes professores. Faça um simulado de TOEIC online e se você acertou 60~70%, muito provavelmente você já tem o nível necessário pra dar aula, ao menos da língua. Além de desenvolver MUITO meu vocabulário com detalhes novos, eu e outros professores não tinhamos problema algum em tirar duvidas bobas ou formas de explicar pra colegas menos experientes.
-Lanchonetes de fast food: Não preciso nem dizer pois é o emprego de entrada, quase sempre tem vagas, mas é um trabalho miserável, porém da pra pagar as contas.
-Aux de Enfermagem: Involve um custo inicial pra estudar, mas tem muita oferta de trabalho em UPAS (eles terceirizam alguns funcionários pela rotatividade alta), é um trabalho DOENTE de puxado mas rende um salário bom geralmente em escala 12/36. Além de te dar experiência invejavel pra area da saúde. Vale a pena se você não sabe o que quer da vida e tem vontade de entrar nessa área.
Técnico em Química: Isso depende muito da região mas minha empressa é dessa área, e sofremos MUITO, MUITO MESMO com a falta tanto de profissionais qualificados quanto de gente começando na área. Já tivemos funcionarios com seus 19 anos, que oferecemos pra PAGAR os estudos pra ele subir de cargo da expedição pro laboratório e ele não quis por "ser complicado", não é um curso fácil mas não é um bixo de sete cabeças. A técnica mais antiga aqui tem salário de 5000 reais e não tem faculdade. Inclusive vale analisar que alguns cargos da area simplesmente não tem um curso preparatório e precisam ser aprendidos em campo e com o tempo, então tudo nessa area tem uma boa perspectiva de carreira.
Empregos "Trades": Encanador, Eletricista, Mecânico e afins de qualidade sempre estão em falta. E muitos deles estão abertos a ter um "aprendiz", se você as vezes tem seus 15~16 anos, e conhece algum daqueles pequenos de bairro, ofereça pra ficar 2~3 horas depois da aula alguns dias só pra aprender como é, são empregos que pagam bem e tem falta de bons profissionais. Além de abrir uma porta pro futuro.
Bom é isso ai, espero que seja útil pra alguns de vocês, qualquer duvida posso tentar responder aqui e desejo boa sorte na caçada de 2020!
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2019.09.26 16:59 Mukatsu Vicente e Bartolomeu

Este é o primeiro post que faço aqui. Eu descobri que gosto muito de escrever, porém, tenho medo, nunca entrei neste mundo antes, esse é o primeiro conto que criei, poderiam dar dicas sobre como melhorar? Podem criticar mesmo, se tem erros gramaticais, coisas fora do comum, problemas com a narrativa e etc.

Vicente e Bartolomeu
Em um reino muito distante, uma bruxa aterrorizava a todos. A bruxa aparecia de tempos em tempos para matar e zombar do povo, também havia em mente tomar todo o reino para ela.
O rei não gostava nada da situação em que seu reino estava, ele sabia que alguma medida deveria ser tomada, porém, a bruxa era poderosa e cruel, todos estavam amedrontados, mas ele sabia que podia contar com seus dois únicos filhos, Bartolomeu, o filho mais velho e Vicente.
Bartolomeu vai ao encontro do seu pai e ambos dialogam sobre as medidas a serem tomadas para o reino:
- Meu filho, chame seu irmão e, juntos, combatam a bruxa asquerosa que vive na remota floresta.
- Meu pai, estou de acordo, acharei meu irmão e iremos juntos nesta missão, traremos honra e glória ao reino!
Bartolomeu fora ao encontro de Vicente. Vicente estava dormindo perto de um riacho, e, como de costume, falava sozinho enquanto dormia.
-Acorde, irmão, acorde! Nosso pai nos manda em uma missão!
Vicente acorda e pergunta o que está havendo. Bartolomeu conta ao irmão sobre a missão dada do pai deles:
-Irmão! Nosso pai deu-nos a missão de dar cabo à bruxa! Esta não para de tentar acabar com nosso povo e com todo o reino!
- Oras, nosso pai tem um exército em suas mãos, que mande ele soldados até a casa da bruxa.
- O reino está totalmente aterrorizado, irmão. É necessário que cumpramos nosso dever para com nosso pai e levemos honra ao reino.
Vicente fora esperto, tinha a intenção de se tornar o novo rei, porém, não o podia ser pois, com a morte ou velhice do pai, quem seria rei era o irmão mais velho. Pensou que, se de algum modo Bartolomeu morresse na missão e ele conseguisse fugir, talvez conseguisse cumprir seu objetivo. Vicente disse:
- Olhe, se é pelo bem de nosso pai e pelo bem de todo o reino, iremos e daremos cabo da bruxa!
-Obrigado, irmão! Porém, tem certeza disto? É isso mesmo o que quer? Bartolomeu perguntou seriamente.
- Tenho sim!
Bartolomeu havia levado suprimentos e armas, seriam dois dias de viagem até a casa da bruxa e eles tinham de estar preparados. Saíram dali e caminharam durante um dia e uma noite, conversavam sobre como agir na presença da bruxa e que a melhor opção era pega-la desprevenida. Vicente ouvia todos os conselhos e parecia concordar com tudo (porém, ele havia outros planos em mente). Ambos comeram, beberam e puseram-se a dormir.
No meio da noite, como de costume, Bartolomeu tinha de acordar o irmão, pois Vicente e sua mania de falar enquanto dormia era de incomodar qualquer um.
Na manhã seguinte, os dois revisaram todos os planos e logo voltaram a caminhar. Bartolomeu perguntou ao irmão:
- Se quiser desistir, pode voltar atrás, sabe disto, certo?
- O quê!? Não diga isto, irmão, não podemos recuar agora, estamos tão perto...
- Então, sigamos em frente.
O sol estava se pondo, já podiam ver a casa da bruxa no meio de uma floresta cheia de árvores ressecadas e podres. Esconderam-se atrás de uma grande pedra e, mais uma vez, conversavam sobre seus planos para acabar com a bruxa:
- Então, assim que ela cair no sono, a matamos.
- Certo!
- Querido irmão, vou perguntar pela última vez, tem certeza de que é isto que quer?
- Oras, Bartolomeu! Desde o início já colocara em minha cabeça de que isto é necessário, pelo bem de nosso pai e do reino, sim, tenho certeza de que é isto que quero!
Bartolomeu não respondeu mais nada, parecia estar concentrado na missão.
A noite havia chegado, porém, luzes vindas de velas dentro de crânios estavam acesas em volta da casa, demonstrando que a bruxa ainda estava acordada. Bartolomeu e Vicente apenas esperavam tudo escurecer para seguir com a missão.
Passada algumas horas, viam uma sombra de uma pessoa andar aos arredores da casa, seria a bruxa? A pessoa apagou todas a velas, então, esta seria a melhor hora para agir. Esperaram mais um pouco e, quando tudo parecia ser um silêncio total, deram voltas na casa da bruxa e procuraram por brechas, havia uma janela quebrada da qual podiam entrar.
-Irmão! Disse Vicente enquanto cutucava Bartolomeu.
- O que foi, irmão?
- Entrarei primeiro, sabes que sou mais esguio e furtivo que você, voltarei e darei informação de como está lá dentro!
- Certo, tome cuidado.
- Não se preocupe!
Passados alguns minutos, Vicente volta e diz que a bruxa estava a dormir tranquilamente e que aquela seria a melhor hora para agir.
- Bom trabalho, irmão! Disse Bartolomeu.
Ambos entraram na casa da bruxa e Vicente logo mostrou o caminho para o quarto dela. Chegando lá, a velha bruxa era horripilante, parecia uma mistura de animal selvagem com ser humano.
- Não perca tempo, acabe com ela. Cochichou Vicente.
- Não se preocupe, irmão.
Bartolomeu tirou sua espada da bainha e deu um golpe certeiro na bruxa. E, finalmente, após ter decapitado a terrível bruxa, Bartolomeu e seu irmão completam a missão da qual seu pai lhes havia designado. Porém, ao virar-se, uma adaga acerta as costas de Bartolomeu. Era Vicente, seu próprio irmão. Havia apunhalado Bartolomeu pelas costas.
- Desculpe, irmão. Jamais poderei aceitar você como o sucessor do trono, EU que sou digno! Não você!
- I-I-Irmão... vou.… perguntar... pela... última... vez...
- Perguntar? O quê?
- Você... tem certeza... que é isto... o que quer...?
Vicente estava confuso, achava que as perguntas eram sobre a missão que seu pai havia lhes dado, porém, eram sobre ele querer desistir de tentar assassinar seu irmão. Bartolomeu sabia dos planos de Vicente.
- Sim! É o que eu quero!
- Sendo... assim... nenhum de nós... irá... ter o.… trono...
Dando um último suspiro, Bartolomeu morre. Vicente havia conseguido o que queria, assassinar seu irmão da qual ele achava que lhe impediria de conseguir o trono. Agora, tudo o que Vicente queria, era, de algum modo, assassinar seu próprio pai, ou, pelo menos, agilizar sua morte. Pensou:
- Colocarei veneno na comida de meu pai e colocarei a culpa nos serventes.
Vicente não sentira remorso pelo ato cruel que havia cometido. Se sentindo confiante, foi em direção à porta para ir embora. Porém, dado apenas três passos, começou a sentir muita dor e logo ficou pálido e gélido.
- O que está havendo? Me sinto fraco... Vou.… morrer?
Bartolomeu sabia o que seu irmão tramava, pois o ouvia comentar sobre seus planos enquanto dormia. Na noite anterior, Bartolomeu havia colocado veneno em uma bebida para seu irmão. Bartolomeu quis realmente acreditar que Vicente desistiria daquela ideia maluca, e, por várias vezes, perguntou ao irmão se ele queria desistir do que planejava, meio como implorando para que ele mudasse. Caso o irmão se arrependesse, Bartolomeu falaria do veneno e faria o irmão vomitar, porém, agora, nem Bartolomeu e nem Vicente teriam o trono.
- Isso... foi você!? Como pôde!?
Vicente não consegue mais falar, cai e logo morre.
Um barulho é ouvido, parecia ser de uma porta se abrindo, quem poderia ser?
- Irmã. Trouxe mais uma poção mágica para nós duas.
Uma outra bruxa entrara na casa. Acendendo as velas, percebeu o que havia acontecido ali e gritou:
- COMO PUDERAM FAZER ISTO COM MINHA IRMÃ!? MALDITOS!
Esta bruxa parecia furiosa, era tão horrenda quanto sua irmã.
- Malditos filhos do rei! Porém, agora, vocês estão destinados a se tornarem nossa peça principal para destruir aquele ninho de ratos!
A bruxa, completamente irada, começa a vasculhar pelos armários da cozinha por algumas poções, acaba encontrando um frasco transparente com um líquido verde florescente, e, derramando metade do líquido em cima do corpo de Vicente, ela diz:
- Que suas intenções sejam favoráveis a mim! Obedeça-me!
O corpo de Vicente derrete, sobrando apenas ossos. A bruxa diz algumas palavras estranhas, incompreensíveis, momentos depois, Vicente acorda, bem, seu esqueleto, pelo menos...
- Que é isto!? O que fizestes comigo!?
- Seu verme miserável! Você matou minha irmã, porém, tive sorte, um sangue real igual o seu será de grande valia para mim.
- Calada! Olhe o que fez comigo! Traga-me de volta o corpo que me pertencia
- Silêncio!
A bruxa puxa uma varinha de seu vestido preto, aponta para Vicente e ele dobra os joelhos, forçadamente, para a bruxa.
- O-O que é isto!? N-Não pode me controlar assim!
- Rato insolente, seu irmão e você trabalharão juntos e tomarão aquele reino asqueroso para mim!
- O quê!?
- Sinto que você tinha desejo de poder, não se preocupe, o trono será seu. Mas só estará lá para seguir minhas ordens.
- Nunca!
- É o que veremos.
A bruxa olha para o corpo de Bartolomeu e diz que agora seria a vez dele, porém, algo está errado. A bruxa diz:
- Ora, ora, mas o que temos aqui?
A bruxa percebera que Bartolomeu tinha uma doença grave nos ossos, ele logo estaria morto de qualquer jeito.
- Veja aqui, seu verme. Você trabalhará sozinho para mim, seu irmão não me servirá, porém, ainda tens sangue real, serás peça preciosa!
- Me mate! Não servirei você! Apenas me mate!
- Não será tão fácil assim.
A bruxa reveste todo o corpo de Vicente com pele e dá a ele aparência de um ser humano novamente, porém, lhe retirou a fala. Ela controlava Vicente. Mandando agora nele, o envia de volta ao reino para fazer com que ele assassine o rei, seu próprio pai. Sem escolha e sem poder dizer nada, Vicente é apenas a marionete obediente da bruxa.
Chegando ao castelo, a bruxa, que ainda está na casa de sua irmã, fala na mente de Vicente:
- Você assassinará seu próprio pai, isto já será o começo do caos. Não se preocupe, sou uma bruxa misericordiosa, poderá trocar algumas palavras com ele antes de que o inferno caia sobre seu reino.
Os guardas percebem que Vicente estava de volta, eles logo o levam para a sala do rei. Chegando lá, o rei ordena para que fique a sós com seu filho. O rei pergunta onde está Bartolomeu, seu irmão. A bruxa dá a voz para Vicente antes de fazer o que planejava.
- Pai... meu irmão... morreu em missão...
O rei estava sem palavras, chorou, abraçou seu único filho que lhe restava e disse:
- Amava muito Bartolomeu..., porém, já chorei tudo o que havia de chorar, ele tinha uma doença que logo o mandaria para o outro mundo.
Vicente se espanta, não sabia disto.
- P-Pai!? O que está dizendo!?
- Seu irmão tinha uma doença que logo o mataria, ele já havia aceitado seu destino e iria dar a boa e má notícia a você ao concluírem a missão.
Vicente ficou em silêncio. O rei disse:
- Seu irmão contaria que o trono seria seu ao terminar a missão.
Vicente não esboçou reação, não havia demonstrado espanto pela doença do irmão, nem pelo ato que o mesmo haveria de tomar para com ele.
Sacou rapidamente uma adaga e acertou o coração do próprio pai.
- F-filho!? O que é isto!?
- Vivo, morto, meio-termo, não importa, este trono é meu.
Vicente assassinou seu próprio pai e fez parecer que fosse suicídio, deu a desculpa de que o rei não aguentou saber da morte do próprio filho que “mais amava”. Finalmente, o trono era dele. Porém, o filho mais novo do rei não ouvia a voz da bruxa e nem sequer era mais controlado por ela. Vicente estava tão tomado, novamente, pela sua ganância ao poder, pelo egoísmo, que não havia percebido que a bruxa, por algum motivo, não o controlava mais.
Lá longe, na casa da bruxa, novamente, três corpos. Uma bruxa decapitada, o filho mais velho do rei e a irmã da bruxa, que fora assassinada por Bartolomeu. Bartolomeu fingia estar morto e, ouvindo tudo o que acontecia, ao perceber o momento em que seu irmão encontrava-se na presença de seu pai, matou a bruxa antes que ela voltasse a controlá-lo, acreditando que Vicente, depois de tudo, havia se arrependido.
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2019.07.04 13:24 gabpac A Inescapável Patologia do Homem que via Galinhas

- Deixe-me entender… O senhor diz que está vendo uma galinha? É isso?
- Isso, doutor. Uma galinha.
- Sei… Uma galinha. Uma só. Poderiam ser mais? - O doutor gesticulava usando só os dedos enquanto perguntava. - Talvez duas ou três?
- Não, não é isso, doutor. É que eu vejo uma galinha. Eu só não tenho certeza se é sempre a mesma, ou se cada vez que eu vejo uma galinha, na verdade, trata-se de outra galinha muito parecida. Eu não tenho muita experiência com galináceos, né? Não sei diferenciar uma galinha de outra. O doutor entenda… eu sempre vivi na cidade…
- Sei… O senhor está sendo perseguido por uma ou mais galinhas, uma de cada vez?
- Perseguido? bem, doutor, eu não diria perseguido. Eu vejo a galinha, digo, uma galinha, e ela está ali, cuidando da sua vida, fazendo... Sei lá, fazendo o que galinhas costumam fazer. Mas de forma alguma eu diria que estou sendo perseguido. Ao menos não por galinhas.
- O senhor está vendo uma galinha agora?
- Aqui, no consultório? Não, doutor. Aqui não tem galinha nenhuma. Mas tinha uma lá fora, na entrada do prédio.
- Na entrada do prédio. - O médico repetiu bem devagar, batendo com a caneta na palma da mão. - O senhor compreende que estamos bem no centro da cidade, não?
O rapaz sorriu.
- Doutor, se estivéssemos na zona rural e eu visse uma galinha, não teria procurado um médico, não é?
Doutor Gouveia não pareceu achar muita graça do comentário. Terminou uma anotação, empurrou os óculos mais para cima do nariz, fungou uma ou duas vezes e se aprumou para preencher o prontuário.
- Vamos ver… O senhor se chama Tiago Duarte…
- É Yago, com ipsilone.
- Yago. Yago Duarte, tem trinta e três anos. Profissão?
- Eu sou diretor do departamento de compras.
- Sei… - O doutor ia escrevendo, sem olhar para o paciente. - Casado? Filhos?
- Não. Solteiro. Eh, divorciado. Quer dizer, separado. Sem filhos.
- Ahan… O senhor é saudável de uma maneira geral? Sofre de alguma moléstia crônica?
- Não. Um resfriado, de vez em quando, né? Nada sério.
- Sei… E tem passado por algum estresse? Algum evento traumático?
Yago balançou a cabeça.
- Confusão no trabalho… Mas nada, não.
- Oquei… - o doutor esticou o "O" do oquei enquanto empurrava sua cadeira de rodinhas para trás.
- Então, senhor Yago, me conte porque o senhor me procurou.
- Eu vejo galinhas. - Yago respondeu casualmente. O doutor seguia encarando o paciente. Levantou a sobrancelha e franziu a testa, tentando encorajar o rapaz a continuar falando. - Pois é, doutor. É isso. Eu vejo galinhas.
- Como foi, eh… Como foi que isso começou?
- Foi na terça-feira. Eu acordei cedo para ir ao trabalho. Botei os chinelos no pé e fui até a cozinha para passar um café. Eu ia arrumando a cafeteira, botando água, ajeitando o filtro, quando eu ouvi um ruído vindo da sala. Eu moro sozinho, eu não tenho bicho em casa, virei para olhar e ali estava ela, uma galinha, assim, desse tamanho. Era só a cara dela, olhando pela porta com o pescoço esticado, me espiando. Assim que eu me virei para a porta, ela saiu correndo.
- Sei… O senhor viu e também ouviu a galinha?
- Ouvi. Vi e ouvi, sim. Levei um baita susto, né? Porque uma galinha assim, na minha casa… Eu moro no segundo andar, lá na Aristides da Costa. Rua movimentada. Uma galinha? Não faz sentido, né? Eu fui atrás dela, que ela correu para a sala. Eu juro para o senhor. Fiquei meia hora procurando a bicha. Quase perdi a hora. Saí sem tomar café.
- Sei… E foi só isso?
- Não, claro que não. Se fosse só isso, bem, eu ia achar que foi confusão da minha cabeça. Acontece, né? Mas não. Eu segui para o trabalho no carro e daí eu parei no sinal. Assim que o sinal abriu eu vi, ali na esquina, uma galinha. Tava lá, correndo de um lado para o outro da rua transversal, que nem na piada.
- Que piada?
- Aquela: por que é que a galinha cruzou a rua?
- Ah. Claro, claro. A piada. Sei.
Ficaram os dois em silêncio. Yago, como se pensando na piada, e o doutor Gouveia esperando ele continuar a história.
- E depois? - O doutor incentivou.
- Depois o que?
- Depois da galinha que o senhor viu no sinaleiro...
- Ah! É. A galinha que cruzou a rua. Fiquei olhando, mas a galinha sumiu. Quis perguntar para o carro do lado se ele também tinha visto. Quer dizer, para o motorista do carro ao lado, que eu não converso com carro… Não sou biruta, ainda, eu acho. Mas aí começaram a buzinar e eu tive que seguir adiante. Doutor, o senhor acha que eu estou louco?
- Senhor Yago, é muito cedo para eu te dar algum diagnóstico preciso. Conte mais. Essa galinha na esquina, foi a última?
- Não! Antes fosse, antes fosse. Foram várias. Teve essa, escute, doutor. Eu ia chegando no escritório, descendo a rampa da garagem do prédio quando eu vi, subindo a rampa em sentido contrário, uma galinha! Nem deu tempo de conter o susto. Gritei para o guardinha, Ô, Antônio! Ô, seu Antônio? Você viu essa galinha?, seu Antônio nem me ouviu. Estava abrindo o portão para a Elizete. Eu acho, doutor, que o seu Antônio tem alguma coisa com a Elizete… - Yago coçou vigorosamente a têmpora e fez uma careta. Daí ficou compenetrado, olhando para um ponto fixo na parede. - Seu Antônio e a Elizete… - Yago voltou à vida e olhou de volta para o doutor. - Bem! Eu passei a manhã distraído, de tal jeito que nem me recuperei direito. E logo depois, doutor, imagine, eu tinha uma reunião de almoço com uns fornecedores do Paraná. Adivinha o que fomos comer?
- Galinha?
Yago olhou para o doutor com estranhamento e as suas sobrancelhas se uniram. Em voz baixa e levantando os ombros respondeu:
- Não doutor. Peixe… Por que é que eu iria comer galinha?
- Eu… eu não sei. Não importa. - Doutor Gouveia sacudiu a cabeça. - Continue.
- Enfim, doutor. Foi eu me sentar na cadeira no restaurante e uma galinha saiu correndo para a cozinha. Garçom! Garçom! Uma galinha, ali, acabou de entrar na cozinha! Eu me levantei e apontei. O garçom ficou me olhando, sem entender o que eu queria dele. Senhor, esse é um restaurante de peixes. Não temos frango. O senhor gostaria de uma salada, talvez? Ele não entendeu, né? Achou que eu estava pedindo para comer uma galinha. Eu ia pedir para entrar na cozinha e procurar o bicho, mas eu estava ali com os fornecedores. Ruim isso, né doutor? Que eu tive que me segurar e sentar na minha cadeira, participar da conversa… Mas eu estava distraído, pensando, tentando entender…
- De onde veio a galinha?
- Não, não. - Yago se irritou. - A questão do Antônio e da Elizete! Que a Elizete é secretária do segundo andar, começou faz poucos meses, e o Antônio é funcionário antigo. Será que tinha alguma coisa ali mesmo? Porque, se tinha, o chefe da logística ia ficar cabreiro. O chefe da logística, o Amílcar, o pessoal espalhou que contratou a Elizete por conta do… da… do… enfim, por conta de elementos extra-profissionais, entende?
O doutor deu um suspiro.
- Houve mais casos em que o senhor viu uma galinha?
- Aconteceu sim, naquele dia mesmo, logo em seguida do almoço. Fui para a sala do chefe. Quando eu ia entrando, saiu dali um cara que era assessor de um deputado estadual. Aí tem, eu pensei, que o tal deputado tava enrolado em um monte de coisa que a gente já tinha ouvido dizer, mas que ninguém tinha provas. Doutor sabe do que eu estou falando, né? Bem, entrei ali, conversar com o chefe sobre o almoço com os fornecedores do Paraná. Eu vi, em cima da mesa, uma pasta que ele estava tentando esconder com a mão, fingindo que não era nada… Mas eu li a palavra Licitação. Vixi! Mas, bem, não tenho nada com isso, né? Só que, daí, assim que eu ia saindo da sala, eu olhei para o lado de fora eu vi!
- A Elizete?
- Não, doutor, a Elizete trabalha em outro andar. Uma galinha! cruzando o corredor na frente da sala do chefe! Eu ainda perguntei pro meu chefe, o senhor viu isso, seu Cláudio?, Isso o que?, A, o, a… deixa para lá. Não é nada não. Tenha um bom dia! Me levantei e saí correndo pegar a bicha! Ô, Siomara, você viu? Passou aqui mesmo!, Do que é que você está falando, Yago? Não vi nada passando aqui, Bem, nada não, Siomara. Desculpa! Desisti e voltei para minha sala.
- Isso que você conta foi… na terça feira, certo? - O médico perguntou enquanto consultava o prontuário.
- Terça-feira. Mas quarta feira foi bem pior.
- Conte, por favor.
Yago esfregou os olhos com as mãos, olhou para um canto do teto por uns segundos enquanto sacudia os dedos como se fosse um pianista pronto para dar o primeiro acorde. Juntou as mãos e voltou a olhar para o médico.
- Ah! Quarta-feira… Eu dormi bem. Nem sonhei, ou não me lembro de ter sonhado. Eu acordei cedo para ir ao trabalho. Botei os chinelos no pé e fui até a cozinha para passar um café. Eu ia arrumando a cafeteira, botando água, ajeitando o filtro, quando eu ouvi, de novo, um ruído vindo da sala.
O médico interrompeu:
- Senhor Yago, me diga, o senhor tem a sua rotina bem estabelecida? Costuma fazer as coisas exatamente da mesma maneira, todos os dias?
- Não sei, doutor… Eu tenho lá minhas coisinhas, né? Todo mundo tem. Eu gosto de tomar café de manhã, todas as manhãs. O senhor não?
O doutor Gouveia ignorou a pergunta, anotou alguma coisa no prontuário e pediu para o paciente continuar:
- Então, o senhor dizia que tinha ouvido um barulho vindo da sala. O que aconteceu depois?
- Isso. Um barulho na sala! Já fui pensando se era, ou se não era uma galinha. Eu já tinha me esquecido dessa história... Uma galinha na minha sala… Isso não faz nenhum sentido, né? Mas não. Não ouvi mais nada. Dessa vez eu não parei para procurar por galinha nenhuma. Tomei o meu café e fui para o escritório. Eu juro, doutor, que eu fiquei atento se me aparecia uma galinha no caminho… Mas não apareceu. Estacionei o carro e, lá da garagem eu chamei, o elevador. Estava ali, esperando, me distraí, lembrei de uns papéis que tinha que ter trazido comigo e não tinha certeza se estavam na minha pasta. Abri a pasta, conferi que estavam ali e fechei de novo. Eu não tinha reparado, mas o elevador já tinha chegado e, quando me dei conta, só deu tempo de ver as portas se fechando. E ali dentro, doutor, uma galinha! Eu tentei segurar a porta, enfiar o pé no vão, apertar o botão… Mas lá se foram, a galinha e o elevador.
Yago deu um suspiro, como se tivesse perdido o elevador naquele momento.
- Subi de escada, correndo. No caminho apareceu um colega, o Oviedo. Ele tava com uma cara assustada, ansiosa, eu já ia perguntar se ele por acaso tinha visto uma galinha. Mas ele foi mais rápido e disse: Yago… Você tá subindo para o teu escritório? Eu tava, né? Para onde mais era para eu estar indo àquela hora da manhã? Eu respondi que sim. O Oviedo pensou, pensou e daí resolveu dizer, cochichando: Ó, melhor dar um tempo, Yago. Tá tudo meio complicado lá em cima. Sai, vai até a padaria, faz uma hora por lá… depois volta. Eu até que ia seguir o conselho dele, mas quando eu ia me virar para seguir o Oviedo, eu escuto: cocó! Cocó-có! Meu senhor Jesus Cristo! Eu agora pego a penosa! Subi correndo escada acima seguindo o barulho, fui até o alto do prédio… Mas não vi a galinha, se é que tinha alguma galinha. Eu estava esbaforido, o doutor pode imaginar, né? Eu, assim, meio gordinho, subindo oito andares de escada vestindo camisa, carregando minha maletinha… Quando então, ali na escadaria mesmo, logo ali no andar debaixo, o que eu vejo?
O médico fez uma cara um pouco aparvalhada, levantou as palmas das mãos e tentou:
- A Elizete?
- Não! O auditor da receita federal conversando com o meu chefe! Doutor! Que susto! O Oviedo deve ter visto alguma fuzarca no escritório do chefe, mas quem viu o Cláudio conversando com o auditor fui eu. Aperto de mão, tapinha no ombro, cochicho…
- Senhor Yago, isso tem alguma coisa à ver com o seu problema?
- Tem, tem sim! - E aí Yago soltou tudo, num sopro só, ofegando, como se tivesse acabado de subir os oito andares de escada. - Porque eu ia vendo isso ali no meio lance de escadas abaixo do meu, quando eu vi, logo ali, uma galinha! Doutor, ali, meio lance de escada abaixo de mim! Tava ali a penosa, popó, popopó, ciscando o chão de pedra. Só que eu não podia me mexer. Aliás, se a galinha fizesse muito barulho ia chamar a atenção dos dois ali embaixo, e podia ser que me vissem. Doutor! eu fiquei paralisado, suando bicas, olhando para a galinha a menos de dez degraus de onde eu estava. Popo popo popó. Ela não descia nem subia. Eu olhava para ela e ao mesmo tempo tentava escutar o que os dois conversavam ali em baixo. Nem consegui ouvir tudo direito, mas era maracutaia. Das brabas.
O doutor se levantou, atravessou a sala, encheu um copo d'água do filtro que estava sobre um móvel.
- Tome, Yago. Tente se acalmar.
Bebeu toda água em um gole só. Devolveu o copo para o médico, gesticulando que precisava de outro copo.
- Já trago mais.
O médico trouxe mais dois copos cheios. Yago tomou o primeiro de uma vez só e, mais calmo, tomou o outro aos goles. Secou a testa suada com a manga da camisa e prosseguiu.
- Assim que os dois terminaram de conversar, entraram e bateram a porta atrás deles. A galinha se assustou e saiu meio voando, meio correndo, escadaria abaixo. Eu fui atrás. Doutor, já perseguiu uma galinha escada abaixo? O Senhor tenha misericórdia, doutor, que eu quase caí um par de vezes. E não alcancei o bicho. Cheguei lá em baixo. Nada de galinha. Sumiu de novo.
Com os cotovelos sobre a mesa, Yago apoiou sua testa nas mãos e suspirou com um ar cansado.
- Sumiu de novo a diaba da galinha. E eu fiquei ali no fim da escadaria, lá no estacionamento, parecendo um palerma, suado e bufando. Posso pegar mais um copo d'água?
Se levantou sem esperar resposta. Encheu o copo que tinha na mão, bebeu e repetiu. Antes de sentar-se, disse:
- Enquanto eu tomava fôlego, ainda ali na escadaria, me aparece o Oviedo com uma coxinha e um guardanapo todo engordurado. Você ainda está aqui?! Cara tá uma confusão no segundo andar! Pegaram a Elizete com o Aguinaldo das Finanças. Parece que vão demitir ele. Imagine, doutor… - Yago riu. - Demitir o Aguinaldo das Finanças. O cara é sobrinho do dono da empresa! Iam demitir nada.
Com gestos impacientes o doutor Gouveia parecia tentar puxar a história contada com as mãos:
- Tá… Mais alguma galinha na quarta-feira?
- Não ao longo do dia. E que dia, doutor! Aguinaldo das Finanças pelo jeito ia ser afastado. Ninguém tinha visto o rapaz pelo escritório e o falatório era geral. A Elizete era outra que tinha sumido. Meu chefe ficou o dia fechado na salinha dele e eu almocei um sanduíche com o Oviedo, ver se eu me botava a par das fofocas do escritório. Oviedo é um baita fofoqueiro… Mas galinha, só uma no caminho de volta para casa e outra pulando de uma varanda até a outra no prédio da frente.
- O senhor não achou que já era hora de procurar um médico?
- Não. Eu estava bem. Estava tudo bem. Eu via umas galinhas… E daí?
- Então por que o senhor me procurou hoje?
- Por causa do que aconteceu na quinta.
- Quinta… Ontem, o senhor quer dizer?
- Isso. Ontem.
O médico fechou os olhos, espalmou as mãos sobre a mesa, respirou fundo e perguntou, bem pausadamente, mal contendo sua irritação:
- Então... o que aconteceu ontem?
- Bem, eu acordei cedo para ir ao trabalho. Botei os chinelos no pé e fui até a cozinha para passar um café. Eu ia arrumando a cafeteira, botando água, ajeitando o filtro, quando eu ouvi, de novo, um ruído vindo da sala.
O médico não perguntou nada. Pegou o queixo com a mão, olhando para o paciente por detrás dos óculos. Nem um gesto, nem uma menção para Yago continuar falando.
- Não era nada. - Yago finalmente disse, olhando para o chão. - Quer dizer, eu não vi nada. Não encontrei a galinha. Já estava me acostumando com as galinhas na minha vida. Estivesse ela ali no meu apartamento, ou não, eu já nem ligava, né? Desde que não fizesse cocô no meu tapete, ou no sofá… Bem, então, fui para o escritório. Cheguei no escritório e vi o seu Antônio com uma cara sombria, sério, agitado. Ele que era tão alegre, tão calmo. Aí tem, que eu lembrei da fofoca do dia anterior. Estacionei, subi para o meu andar. Na minha sala não tinha ninguém. Estava tudo vazio. Tinha era uma galinha sentada na minha cadeira. Doutor! Me enfezei. Aí já era demais, né? Aí já era abuso! Na minha cadeira! Me posicionei para emboscar a galinha. Me aproximei dela devagar, com as mãos prontas para agarrar a bicha, quando alguém na porta passa correndo, sem olhar, e avisa: Ó, Yago, Tá um fuzuê lá na recepção! Melhor vir ver! Acho que era o Dogoberto. Quando eu me virei de volta, a galinha já tinha sumido. Deixei minha maletinha em cima da mesa e fui ver o que o Dogoberto queria de mim.
Yago se ajeitou na cadeira e seguiu contando:
- Tava uma galera lá na recepção. Todo mundo ao redor de uma televisão que normalmente fica passando uma apresentação de Power-Point horrorosa. Era um policial federal falando, ou era o juiz? Não, desculpa, minto, era o procurador. Isso. Era o procurador. Ele falava a respeito do tal do deputado estadual, aquele mesmo que tava na sala do meu chefe Cláudio antes. Que o deputado estava sendo indiciado por recebimento de dinheiro, coisa e tal. O José Shmidt gritou lá do fundo da sala que foi o puto, desculpa, doutor, foi o que ele disse, que o puto do Amílcar da Logística que foi quem denunciou o Aguinaldo. A Margarida se meteu, confirmando que foi o Amílcar da Logística mesmo, que o cara ficou todo cheio de ciúmes do Aguinaldo da Finanças que tava arrastando asa para a pobre da Elizete que não era nada mais que uma boa moça, honesta e limpa. A Margarete tem isso de elogiar as pessoas que ela gosta como sendo limpas. O Aguinaldo nem tava ali para se defender, que eu sabia que o rabo-preso da história era meu chefe, que eu vi combinando cambalacho com o fiscal da receita, mas não falei nada. Mas, doutor, olha a situação: todo mundo batendo boca ali na recepção, o juiz ali na televisão falando do deputado… Não, era juíz, né? Era o policial. Isso. Me confundi antes. Era um policial federal. Enfim, o policial federal falando do deputado, a turma dizendo horrores da Elizete, que era limpa mesmo, e eu vi… Doutor, eu vi ali na televisão, atrás do juiz…
- O teu chefe?
- Não! Doutor! Uma galinha! Na televisão! E eu gritei: galinha! E metade da turma, achando que eu tava atacando a Elizete, acho que achando que ela era uma galinha mesmo, começou a gritar junto! Galinha! Daí foi porrada para todo lado, que tinha gente que achava que a Elizete era inocente e não tinha nada que ver, nem com a briga, nem com as maracutaias da chefia. Seu Antônio apareceu depois, chorando, veio avisar que o Cláudio disse que ia sair de férias. E levou a Elizete com ele.
Yago ficou quieto.
Doutor Gouveia tirou os óculos e começou a limpar as lentes com um lenço de papel, contido. Ninguém dizia nada. O doutor, a esse ponto, se recusava a fazer qualquer pergunta. Yago parecia perturbado. Depois que o silêncio pesou, Yago continuou a explicação:
- Pois é doutor… Todo mundo meio consternado, pensando no seu próprio emprego… Eu voltei para minha sala. E foi aí que eu vi, em cima da cadeira, bem onde tinha estado a galinha. Tinha um ovo. Um ovo, doutor. Tá aqui.
Yago se virou, abriu sua mochila, tirou dali de dentro um tupperware com um ovo dentro. Botou em cima da mesa do médico.
- Então, doutor. Pode ser que eu esteja ficando maluco?
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2019.07.04 13:23 gabpac A Inescapável Patologia do Homem que via Galinhas

- Deixe-me entender… O senhor diz que está vendo uma galinha? É isso?
- Isso, doutor. Uma galinha.
- Sei… Uma galinha. Uma só. Poderiam ser mais? - O doutor gesticulava usando só os dedos enquanto perguntava. - Talvez duas ou três?
- Não, não é isso, doutor. É que eu vejo uma galinha. Eu só não tenho certeza se é sempre a mesma, ou se cada vez que eu vejo uma galinha, na verdade, trata-se de outra galinha muito parecida. Eu não tenho muita experiência com galináceos, né? Não sei diferenciar uma galinha de outra. O doutor entenda… eu sempre vivi na cidade…
- Sei… O senhor está sendo perseguido por uma ou mais galinhas, uma de cada vez?
- Perseguido? bem, doutor, eu não diria perseguido. Eu vejo a galinha, digo, uma galinha, e ela está ali, cuidando da sua vida, fazendo... Sei lá, fazendo o que galinhas costumam fazer. Mas de forma alguma eu diria que estou sendo perseguido. Ao menos não por galinhas.
- O senhor está vendo uma galinha agora?
- Aqui, no consultório? Não, doutor. Aqui não tem galinha nenhuma. Mas tinha uma lá fora, na entrada do prédio.
- Na entrada do prédio. - O médico repetiu bem devagar, batendo com a caneta na palma da mão. - O senhor compreende que estamos bem no centro da cidade, não?
O rapaz sorriu.
- Doutor, se estivéssemos na zona rural e eu visse uma galinha, não teria procurado um médico, não é?
Doutor Gouveia não pareceu achar muita graça do comentário. Terminou uma anotação, empurrou os óculos mais para cima do nariz, fungou uma ou duas vezes e se aprumou para preencher o prontuário.
- Vamos ver… O senhor se chama Tiago Duarte…
- É Yago, com ipsilone.
- Yago. Yago Duarte, tem trinta e três anos. Profissão?
- Eu sou diretor do departamento de compras.
- Sei… - O doutor ia escrevendo, sem olhar para o paciente. - Casado? Filhos?
- Não. Solteiro. Eh, divorciado. Quer dizer, separado. Sem filhos.
- Ahan… O senhor é saudável de uma maneira geral? Sofre de alguma moléstia crônica?
- Não. Um resfriado, de vez em quando, né? Nada sério.
- Sei… E tem passado por algum estresse? Algum evento traumático?
Yago balançou a cabeça.
- Confusão no trabalho… Mas nada, não.
- Oquei… - o doutor esticou o "O" do oquei enquanto empurrava sua cadeira de rodinhas para trás.
- Então, senhor Yago, me conte porque o senhor me procurou.
- Eu vejo galinhas. - Yago respondeu casualmente. O doutor seguia encarando o paciente. Levantou a sobrancelha e franziu a testa, tentando encorajar o rapaz a continuar falando. - Pois é, doutor. É isso. Eu vejo galinhas.
- Como foi, eh… Como foi que isso começou?
- Foi na terça-feira. Eu acordei cedo para ir ao trabalho. Botei os chinelos no pé e fui até a cozinha para passar um café. Eu ia arrumando a cafeteira, botando água, ajeitando o filtro, quando eu ouvi um ruído vindo da sala. Eu moro sozinho, eu não tenho bicho em casa, virei para olhar e ali estava ela, uma galinha, assim, desse tamanho. Era só a cara dela, olhando pela porta com o pescoço esticado, me espiando. Assim que eu me virei para a porta, ela saiu correndo.
- Sei… O senhor viu e também ouviu a galinha?
- Ouvi. Vi e ouvi, sim. Levei um baita susto, né? Porque uma galinha assim, na minha casa… Eu moro no segundo andar, lá na Aristides da Costa. Rua movimentada. Uma galinha? Não faz sentido, né? Eu fui atrás dela, que ela correu para a sala. Eu juro para o senhor. Fiquei meia hora procurando a bicha. Quase perdi a hora. Saí sem tomar café.
- Sei… E foi só isso?
- Não, claro que não. Se fosse só isso, bem, eu ia achar que foi confusão da minha cabeça. Acontece, né? Mas não. Eu segui para o trabalho no carro e daí eu parei no sinal. Assim que o sinal abriu eu vi, ali na esquina, uma galinha. Tava lá, correndo de um lado para o outro da rua transversal, que nem na piada.
- Que piada?
- Aquela: por que é que a galinha cruzou a rua?
- Ah. Claro, claro. A piada. Sei.
Ficaram os dois em silêncio. Yago, como se pensando na piada, e o doutor Gouveia esperando ele continuar a história.
- E depois? - O doutor incentivou.
- Depois o que?
- Depois da galinha que o senhor viu no sinaleiro...
- Ah! É. A galinha que cruzou a rua. Fiquei olhando, mas a galinha sumiu. Quis perguntar para o carro do lado se ele também tinha visto. Quer dizer, para o motorista do carro ao lado, que eu não converso com carro… Não sou biruta, ainda, eu acho. Mas aí começaram a buzinar e eu tive que seguir adiante. Doutor, o senhor acha que eu estou louco?
- Senhor Yago, é muito cedo para eu te dar algum diagnóstico preciso. Conte mais. Essa galinha na esquina, foi a última?
- Não! Antes fosse, antes fosse. Foram várias. Teve essa, escute, doutor. Eu ia chegando no escritório, descendo a rampa da garagem do prédio quando eu vi, subindo a rampa em sentido contrário, uma galinha! Nem deu tempo de conter o susto. Gritei para o guardinha, Ô, Antônio! Ô, seu Antônio? Você viu essa galinha?, seu Antônio nem me ouviu. Estava abrindo o portão para a Elizete. Eu acho, doutor, que o seu Antônio tem alguma coisa com a Elizete… - Yago coçou vigorosamente a têmpora e fez uma careta. Daí ficou compenetrado, olhando para um ponto fixo na parede. - Seu Antônio e a Elizete… - Yago voltou à vida e olhou de volta para o doutor. - Bem! Eu passei a manhã distraído, de tal jeito que nem me recuperei direito. E logo depois, doutor, imagine, eu tinha uma reunião de almoço com uns fornecedores do Paraná. Adivinha o que fomos comer?
- Galinha?
Yago olhou para o doutor com estranhamento e as suas sobrancelhas se uniram. Em voz baixa e levantando os ombros respondeu:
- Não doutor. Peixe… Por que é que eu iria comer galinha?
- Eu… eu não sei. Não importa. - Doutor Gouveia sacudiu a cabeça. - Continue.
- Enfim, doutor. Foi eu me sentar na cadeira no restaurante e uma galinha saiu correndo para a cozinha. Garçom! Garçom! Uma galinha, ali, acabou de entrar na cozinha! Eu me levantei e apontei. O garçom ficou me olhando, sem entender o que eu queria dele. Senhor, esse é um restaurante de peixes. Não temos frango. O senhor gostaria de uma salada, talvez? Ele não entendeu, né? Achou que eu estava pedindo para comer uma galinha. Eu ia pedir para entrar na cozinha e procurar o bicho, mas eu estava ali com os fornecedores. Ruim isso, né doutor? Que eu tive que me segurar e sentar na minha cadeira, participar da conversa… Mas eu estava distraído, pensando, tentando entender…
- De onde veio a galinha?
- Não, não. - Yago se irritou. - A questão do Antônio e da Elizete! Que a Elizete é secretária do segundo andar, começou faz poucos meses, e o Antônio é funcionário antigo. Será que tinha alguma coisa ali mesmo? Porque, se tinha, o chefe da logística ia ficar cabreiro. O chefe da logística, o Amílcar, o pessoal espalhou que contratou a Elizete por conta do… da… do… enfim, por conta de elementos extra-profissionais, entende?
O doutor deu um suspiro.
- Houve mais casos em que o senhor viu uma galinha?
- Aconteceu sim, naquele dia mesmo, logo em seguida do almoço. Fui para a sala do chefe. Quando eu ia entrando, saiu dali um cara que era assessor de um deputado estadual. Aí tem, eu pensei, que o tal deputado tava enrolado em um monte de coisa que a gente já tinha ouvido dizer, mas que ninguém tinha provas. Doutor sabe do que eu estou falando, né? Bem, entrei ali, conversar com o chefe sobre o almoço com os fornecedores do Paraná. Eu vi, em cima da mesa, uma pasta que ele estava tentando esconder com a mão, fingindo que não era nada… Mas eu li a palavra Licitação. Vixi! Mas, bem, não tenho nada com isso, né? Só que, daí, assim que eu ia saindo da sala, eu olhei para o lado de fora eu vi!
- A Elizete?
- Não, doutor, a Elizete trabalha em outro andar. Uma galinha! cruzando o corredor na frente da sala do chefe! Eu ainda perguntei pro meu chefe, o senhor viu isso, seu Cláudio?, Isso o que?, A, o, a… deixa para lá. Não é nada não. Tenha um bom dia! Me levantei e saí correndo pegar a bicha! Ô, Siomara, você viu? Passou aqui mesmo!, Do que é que você está falando, Yago? Não vi nada passando aqui, Bem, nada não, Siomara. Desculpa! Desisti e voltei para minha sala.
- Isso que você conta foi… na terça feira, certo? - O médico perguntou enquanto consultava o prontuário.
- Terça-feira. Mas quarta feira foi bem pior.
- Conte, por favor.
Yago esfregou os olhos com as mãos, olhou para um canto do teto por uns segundos enquanto sacudia os dedos como se fosse um pianista pronto para dar o primeiro acorde. Juntou as mãos e voltou a olhar para o médico.
- Ah! Quarta-feira… Eu dormi bem. Nem sonhei, ou não me lembro de ter sonhado. Eu acordei cedo para ir ao trabalho. Botei os chinelos no pé e fui até a cozinha para passar um café. Eu ia arrumando a cafeteira, botando água, ajeitando o filtro, quando eu ouvi, de novo, um ruído vindo da sala.
O médico interrompeu:
- Senhor Yago, me diga, o senhor tem a sua rotina bem estabelecida? Costuma fazer as coisas exatamente da mesma maneira, todos os dias?
- Não sei, doutor… Eu tenho lá minhas coisinhas, né? Todo mundo tem. Eu gosto de tomar café de manhã, todas as manhãs. O senhor não?
O doutor Gouveia ignorou a pergunta, anotou alguma coisa no prontuário e pediu para o paciente continuar:
- Então, o senhor dizia que tinha ouvido um barulho vindo da sala. O que aconteceu depois?
- Isso. Um barulho na sala! Já fui pensando se era, ou se não era uma galinha. Eu já tinha me esquecido dessa história... Uma galinha na minha sala… Isso não faz nenhum sentido, né? Mas não. Não ouvi mais nada. Dessa vez eu não parei para procurar por galinha nenhuma. Tomei o meu café e fui para o escritório. Eu juro, doutor, que eu fiquei atento se me aparecia uma galinha no caminho… Mas não apareceu. Estacionei o carro e, lá da garagem eu chamei, o elevador. Estava ali, esperando, me distraí, lembrei de uns papéis que tinha que ter trazido comigo e não tinha certeza se estavam na minha pasta. Abri a pasta, conferi que estavam ali e fechei de novo. Eu não tinha reparado, mas o elevador já tinha chegado e, quando me dei conta, só deu tempo de ver as portas se fechando. E ali dentro, doutor, uma galinha! Eu tentei segurar a porta, enfiar o pé no vão, apertar o botão… Mas lá se foram, a galinha e o elevador.
Yago deu um suspiro, como se tivesse perdido o elevador naquele momento.
- Subi de escada, correndo. No caminho apareceu um colega, o Oviedo. Ele tava com uma cara assustada, ansiosa, eu já ia perguntar se ele por acaso tinha visto uma galinha. Mas ele foi mais rápido e disse: Yago… Você tá subindo para o teu escritório? Eu tava, né? Para onde mais era para eu estar indo àquela hora da manhã? Eu respondi que sim. O Oviedo pensou, pensou e daí resolveu dizer, cochichando: Ó, melhor dar um tempo, Yago. Tá tudo meio complicado lá em cima. Sai, vai até a padaria, faz uma hora por lá… depois volta. Eu até que ia seguir o conselho dele, mas quando eu ia me virar para seguir o Oviedo, eu escuto: cocó! Cocó-có! Meu senhor Jesus Cristo! Eu agora pego a penosa! Subi correndo escada acima seguindo o barulho, fui até o alto do prédio… Mas não vi a galinha, se é que tinha alguma galinha. Eu estava esbaforido, o doutor pode imaginar, né? Eu, assim, meio gordinho, subindo oito andares de escada vestindo camisa, carregando minha maletinha… Quando então, ali na escadaria mesmo, logo ali no andar debaixo, o que eu vejo?
O médico fez uma cara um pouco aparvalhada, levantou as palmas das mãos e tentou:
- A Elizete?
- Não! O auditor da receita federal conversando com o meu chefe! Doutor! Que susto! O Oviedo deve ter visto alguma fuzarca no escritório do chefe, mas quem viu o Cláudio conversando com o auditor fui eu. Aperto de mão, tapinha no ombro, cochicho…
- Senhor Yago, isso tem alguma coisa à ver com o seu problema?
- Tem, tem sim! - E aí Yago soltou tudo, num sopro só, ofegando, como se tivesse acabado de subir os oito andares de escada. - Porque eu ia vendo isso ali no meio lance de escadas abaixo do meu, quando eu vi, logo ali, uma galinha! Doutor, ali, meio lance de escada abaixo de mim! Tava ali a penosa, popó, popopó, ciscando o chão de pedra. Só que eu não podia me mexer. Aliás, se a galinha fizesse muito barulho ia chamar a atenção dos dois ali embaixo, e podia ser que me vissem. Doutor! eu fiquei paralisado, suando bicas, olhando para a galinha a menos de dez degraus de onde eu estava. Popo popo popó. Ela não descia nem subia. Eu olhava para ela e ao mesmo tempo tentava escutar o que os dois conversavam ali em baixo. Nem consegui ouvir tudo direito, mas era maracutaia. Das brabas.
O doutor se levantou, atravessou a sala, encheu um copo d'água do filtro que estava sobre um móvel.
- Tome, Yago. Tente se acalmar.
Bebeu toda água em um gole só. Devolveu o copo para o médico, gesticulando que precisava de outro copo.
- Já trago mais.
O médico trouxe mais dois copos cheios. Yago tomou o primeiro de uma vez só e, mais calmo, tomou o outro aos goles. Secou a testa suada com a manga da camisa e prosseguiu.
- Assim que os dois terminaram de conversar, entraram e bateram a porta atrás deles. A galinha se assustou e saiu meio voando, meio correndo, escadaria abaixo. Eu fui atrás. Doutor, já perseguiu uma galinha escada abaixo? O Senhor tenha misericórdia, doutor, que eu quase caí um par de vezes. E não alcancei o bicho. Cheguei lá em baixo. Nada de galinha. Sumiu de novo.
Com os cotovelos sobre a mesa, Yago apoiou sua testa nas mãos e suspirou com um ar cansado.
- Sumiu de novo a diaba da galinha. E eu fiquei ali no fim da escadaria, lá no estacionamento, parecendo um palerma, suado e bufando. Posso pegar mais um copo d'água?
Se levantou sem esperar resposta. Encheu o copo que tinha na mão, bebeu e repetiu. Antes de sentar-se, disse:
- Enquanto eu tomava fôlego, ainda ali na escadaria, me aparece o Oviedo com uma coxinha e um guardanapo todo engordurado. Você ainda está aqui?! Cara tá uma confusão no segundo andar! Pegaram a Elizete com o Aguinaldo das Finanças. Parece que vão demitir ele. Imagine, doutor… - Yago riu. - Demitir o Aguinaldo das Finanças. O cara é sobrinho do dono da empresa! Iam demitir nada.
Com gestos impacientes o doutor Gouveia parecia tentar puxar a história contada com as mãos:
- Tá… Mais alguma galinha na quarta-feira?
- Não ao longo do dia. E que dia, doutor! Aguinaldo das Finanças pelo jeito ia ser afastado. Ninguém tinha visto o rapaz pelo escritório e o falatório era geral. A Elizete era outra que tinha sumido. Meu chefe ficou o dia fechado na salinha dele e eu almocei um sanduíche com o Oviedo, ver se eu me botava a par das fofocas do escritório. Oviedo é um baita fofoqueiro… Mas galinha, só uma no caminho de volta para casa e outra pulando de uma varanda até a outra no prédio da frente.
- O senhor não achou que já era hora de procurar um médico?
- Não. Eu estava bem. Estava tudo bem. Eu via umas galinhas… E daí?
- Então por que o senhor me procurou hoje?
- Por causa do que aconteceu na quinta.
- Quinta… Ontem, o senhor quer dizer?
- Isso. Ontem.
O médico fechou os olhos, espalmou as mãos sobre a mesa, respirou fundo e perguntou, bem pausadamente, mal contendo sua irritação:
- Então... o que aconteceu ontem?
- Bem, eu acordei cedo para ir ao trabalho. Botei os chinelos no pé e fui até a cozinha para passar um café. Eu ia arrumando a cafeteira, botando água, ajeitando o filtro, quando eu ouvi, de novo, um ruído vindo da sala.
O médico não perguntou nada. Pegou o queixo com a mão, olhando para o paciente por detrás dos óculos. Nem um gesto, nem uma menção para Yago continuar falando.
- Não era nada. - Yago finalmente disse, olhando para o chão. - Quer dizer, eu não vi nada. Não encontrei a galinha. Já estava me acostumando com as galinhas na minha vida. Estivesse ela ali no meu apartamento, ou não, eu já nem ligava, né? Desde que não fizesse cocô no meu tapete, ou no sofá… Bem, então, fui para o escritório. Cheguei no escritório e vi o seu Antônio com uma cara sombria, sério, agitado. Ele que era tão alegre, tão calmo. Aí tem, que eu lembrei da fofoca do dia anterior. Estacionei, subi para o meu andar. Na minha sala não tinha ninguém. Estava tudo vazio. Tinha era uma galinha sentada na minha cadeira. Doutor! Me enfezei. Aí já era demais, né? Aí já era abuso! Na minha cadeira! Me posicionei para emboscar a galinha. Me aproximei dela devagar, com as mãos prontas para agarrar a bicha, quando alguém na porta passa correndo, sem olhar, e avisa: Ó, Yago, Tá um fuzuê lá na recepção! Melhor vir ver! Acho que era o Dogoberto. Quando eu me virei de volta, a galinha já tinha sumido. Deixei minha maletinha em cima da mesa e fui ver o que o Dogoberto queria de mim.
Yago se ajeitou na cadeira e seguiu contando:
- Tava uma galera lá na recepção. Todo mundo ao redor de uma televisão que normalmente fica passando uma apresentação de Power-Point horrorosa. Era um policial federal falando, ou era o juiz? Não, desculpa, minto, era o procurador. Isso. Era o procurador. Ele falava a respeito do tal do deputado estadual, aquele mesmo que tava na sala do meu chefe Cláudio antes. Que o deputado estava sendo indiciado por recebimento de dinheiro, coisa e tal. O José Shmidt gritou lá do fundo da sala que foi o puto, desculpa, doutor, foi o que ele disse, que o puto do Amílcar da Logística que foi quem denunciou o Aguinaldo. A Margarida se meteu, confirmando que foi o Amílcar da Logística mesmo, que o cara ficou todo cheio de ciúmes do Aguinaldo da Finanças que tava arrastando asa para a pobre da Elizete que não era nada mais que uma boa moça, honesta e limpa. A Margarete tem isso de elogiar as pessoas que ela gosta como sendo limpas. O Aguinaldo nem tava ali para se defender, que eu sabia que o rabo-preso da história era meu chefe, que eu vi combinando cambalacho com o fiscal da receita, mas não falei nada. Mas, doutor, olha a situação: todo mundo batendo boca ali na recepção, o juiz ali na televisão falando do deputado… Não, era juíz, né? Era o policial. Isso. Me confundi antes. Era um policial federal. Enfim, o policial federal falando do deputado, a turma dizendo horrores da Elizete, que era limpa mesmo, e eu vi… Doutor, eu vi ali na televisão, atrás do juiz…
- O teu chefe?
- Não! Doutor! Uma galinha! Na televisão! E eu gritei: galinha! E metade da turma, achando que eu tava atacando a Elizete, acho que achando que ela era uma galinha mesmo, começou a gritar junto! Galinha! Daí foi porrada para todo lado, que tinha gente que achava que a Elizete era inocente e não tinha nada que ver, nem com a briga, nem com as maracutaias da chefia. Seu Antônio apareceu depois, chorando, veio avisar que o Cláudio disse que ia sair de férias. E levou a Elizete com ele.
Yago ficou quieto.
Doutor Gouveia tirou os óculos e começou a limpar as lentes com um lenço de papel, contido. Ninguém dizia nada. O doutor, a esse ponto, se recusava a fazer qualquer pergunta. Yago parecia perturbado. Depois que o silêncio pesou, Yago continuou a explicação:
- Pois é doutor… Todo mundo meio consternado, pensando no seu próprio emprego… Eu voltei para minha sala. E foi aí que eu vi, em cima da cadeira, bem onde tinha estado a galinha. Tinha um ovo. Um ovo, doutor. Tá aqui.
Yago se virou, abriu sua mochila, tirou dali de dentro um tupperware com um ovo dentro. Botou em cima da mesa do médico.
- Então, doutor. Pode ser que eu esteja ficando maluco?
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2019.07.01 08:13 WillMcWilliam Poderiam me ajudar ?

0i, meu nome é william. Tenho 15 anos prestes a fazer 16 em agosto. Minha vida é simples. Não prático esportes. Não me exercíto. E a coisa que mais uso é definitivamente o computador. São mais de 10 horas seguidas sem sair de lá a não ser para buscar algo para comer. As vezes sinto que preciso mudar. Mas estou tão perdido que mal sei o que fazer. Eu tenho um violão que tenho usado de maneira um tanto desleixada, pouco se importando com o meu objetivo. Quero saber tocar uma música sem erros. Mas uns me dizem para decorar acordes. Outros me dizem para tocar músicas fáceis com tutoriais no YouTube. Mas eu sinceramente não sei, simplesmente não sei. Acho que o meu grande problema é a indecisão. Gostaria de mudar isso imediatamente. Moro em uma cidade onde Lugares para relaxar ficam muito longe de casa e... Não sei se minha mãe teria a proeza de me deixar ir tão longe desse jeito. Visualmente falando eu não sou tão estranho. Mas me sinto indiferente das outras pessoas. Como se eu fosse algo especial talvez. Acho que é só um dos fenômenos da adolescência Onde você se acha "o cara" Mas eu sinceramente sinto que há algo mais em mim. Meu amigo diz que eu tenho uma bela voz mas não acredito tanto nele. Eu acredito que ele só está sendo legal comigo como seria com qualquer pessoa. Parece um desabafo extremamente sem sentido mas.. Eu realmente preciso de uma ajuda aqui. Isso é mais um pedido de conselhos do que qualquer coisa. Me critiquem e me ajudem a criar um rumo pra minha vida por favor.
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2018.12.17 03:16 NaoSouMeuPensamento Mensagem para você do presente: Você é um drogado.

Primeiramente, a trilha: https://www.youtube.com/watch?v=QlVuqSNbd2s
A Perfect Circle - Thirteenth Step - Live
Segundamente, tenho conversado com pessoas sobre coisas as quais não posso falar. Me perdôe se vc, que não sou eu, nem eu do passado ou eu do futuro, vc terceiro que lê essas diálogos atrávez das minhas realidades se algo não fizer sentido. Geralmente faz.
limpa a garganta
Puta que o pariu, acorde para a vida. Faz 8 dias que vc começou essa putaria e ainda não entendeu depois de 10 anos?
Olha pra sua mãe, olha a compulsividade.
Olha pro seu dia a dia, olha como os exageiros são sempre necessários, tu machucou a mão por causa disso outro dia, levantando mais peso do que deveria. E agora devia ir pro médico pedir fisioterapia.
Mas ok, exagero, tá anotado pro futuro eu marcar essa consulta, literalmente, primeira coisa na agenda.
Mas sabe, pra que se pegar nele. Deixa ele ir. Deixa ele ir. Faz ele ir. Tire-o daqui. Seu ex não vale. Vc sabe, sua mãe sabe, até teu vizinho deve saber. Teu ex não vale um centavo.
Te puxou pro maravilhoso mundo de alice com uma nota de dois reais.
E ok, foi mágico, foi raro, foi exatamente oq vc queria fazer.
Mas sai fora. Nos últimos oito dias vc tem escutado histórias, lendo relatos, vivenciando a realidade de tudo isso. Ele te manipulava. Ele fazia bosta e depois pagava de santo até tu ficar bem.
E sua loucura foi perfeita para ser manipulada.
Sabe o que vc vai fazer? Vai pegar uma caixa, vai colocar dentro tudo que o remete no seu apartamento, talvez não o poney, manda pra aquela sua amiga do sul, mas com certeza aquela animal de madeira o qual o ex foi carinhosamente apelidado.
Era pra ser um tamanduá, vc lembra? Pq ele cheirava muito.
Vc vai no cartório, paga a merda do filha da puta do advogado, anula a união estável, tira ele do seguro de saúde, dá a caixa pra ele, entrega uns folhetos se ele quiser ajuda e diz, mesmo que não seja totalmente verdade pq vc ainda o vê como humano:
"Nós não nos damos certo. Nós nos fazemos mal. Foi nossa auto validação que nos deu esse vício. Eu passei os últimos 5 anos melhorando. Me tornei o melhor que sou. Mas não sou bom o suficiente para te ajudar, para estar lá, para te ouvir. Vc precisa fazer isso sozinho, por você e para você. Eu não quero. Não me faz bem. E eu preciso ir em frente e preciso que vc entenda que vc também. Não sei se dá para mantermos amizade, sei que o mundo gay é pequeno, sei que o que vivemos foi muito louco, mas eu preciso ir me encontrar. Vc não pode me ajudar com isso. Na verdade ninguém pode, terminei pelo menos 3 relacionamentos esse ano por entender que eu não estou estável emocionalmente para dividir meu tempo com mais alguém. Vc me remete a uma doença que venho me assumindo, sou um viciado compulsivo, mas eu quero parar. E uma das principáis coisas que me falam o tempo todo é: seja egoísta e cuide de você mesmo. Eu realmente te desejo o melhor do mundo, mas eu me recuso a gastar mais um centavo de energia emocional."
Yeah, pode deixar essa frase final. É a pegadinha. Esse é seu lado borderline manipulador falando. Deixa ele morder a isca, deixa ele reclamar, se fazer de coitado. A resposta está na ponta da língua:
"Paguei psicologo pra ti, psiquiatra, um ano de aluguel no centro da cidade, tive que te expulsar do apartamento pq vc não queria sair, tiver que ir ver advogado de família para saber o recurso legal pra te tirar de lá. Tentamos manter um relacionamento baseado em drogas no 'pós casamento' onde iamos pra raves se entupir de todas as drogas do mundo. E foi maravilhoso, eternamente memória. Até o dia que vc mais uma vez se demonstrou pouco se importar comigo. Vc deve lembrar bem. Se não lembra melhor. Sai de lá em pleno ataque de pánico, um amigo que mora perto daquele ap me socorreu e ficamos jogando Cuphead de madrugada. Ou eu só fiquei fumando um e chorando.
Foda-se você.
Eu já fiz tudo que eu pudia, e provavelmente nada foi a coisa certa, mas com certeza eu demorei muito para entender. Eu estou encarando meu passado, meu presente e meu futuro. Primeira vez em anos que finalmente tenho um plano de 10 anos pra minha própria vida. E não tem ninguém do meu lado."
Viu você sabe, na pontinha da língua.
Não se esqueça dessa conta não. Olhas os posts no passado. Vou tirar um comentário que tenho certeza que mandamos pra alguém em algum momento:
sons de intervalo enquanto procuramos
Antes de dormir me pego com uma satisfação. Não sou mais quem eu era mesmo. Eu quis me tornar alguém melhor e agora sou. E vou continuar sendo.
https://old.reddit.com/desabafos/comments/9j46rk/repost_as_pessoas_que_cheiravam_com_vc_ainda_s%C3%A3o/
Estamos nós tornando nosso melhor 'eu'. Eu tenho certeza dissio. E vamos continuar sendo.
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DVD PRAZER, EU SOU FERRUGEM: 'VOCÊ E EU' - YouTube Nicoli Francini - Eu Acredito (COVER ) Lauren Daigle - You Say Julia Vitoria - Tudo o Que Sou (Live Session) - YouTube Quem Dizes Que Eu Sou - Hillsong Em Português - YouTube Charlie Brown - Vc vai de limusine eu vou de trem DIZ PRA MIM QUE CÊ ADORA UM FAVELADO, TODO TATUADO COM ... Lauren Daigle - You Say (Tradução) Porque tocou meu coração! Você Diz (Cover: Kessya Mayelle) - You Say (Lauren Daigle) DIZ (YOU SAY)  Ana Nóbrega - YouTube

Diz Pra Mim - (Jean Tassy) - Acordes

  1. DVD PRAZER, EU SOU FERRUGEM: 'VOCÊ E EU' - YouTube
  2. Nicoli Francini - Eu Acredito (COVER ) Lauren Daigle - You Say
  3. Julia Vitoria - Tudo o Que Sou (Live Session) - YouTube
  4. Quem Dizes Que Eu Sou - Hillsong Em Português - YouTube
  5. Charlie Brown - Vc vai de limusine eu vou de trem
  6. DIZ PRA MIM QUE CÊ ADORA UM FAVELADO, TODO TATUADO COM ...
  7. Lauren Daigle - You Say (Tradução)
  8. Porque tocou meu coração!
  9. Você Diz (Cover: Kessya Mayelle) - You Say (Lauren Daigle)
  10. DIZ (YOU SAY) Ana Nóbrega - YouTube

Por que tocou meu coração, me deixar em suas mãos Me diz pra onde foi que eu não sei o que fazer Você chegou e me ganhou, nunca fui de ninguém assim Me diz pra onde foi que eu te quero outra ... Inscreva - se no canal e veja o vídeo primeiro que todos 🔔 CONTATO PARA SHOWS: https://wa.me/5521974181633?text=Como%20fa%C3%A7o%20para%20fechar%20show%20do%... #JuliaVitoria #Worship #MusileRecords Ouça 'Julia Vitoria - Tudo o Que Sou (Live Session)': https://Musile.lnk.to/tqs Baixe 'Julia Vitoria - Tudo o Que S... E quando eu não pertenço, Você diz que eu sou Teu E eu acredito, oh eu confio No que Dizes sobre mim Eu acredito Entrego tudo o que sou e toda a minha vida à Ti Pois eu sei que as minhas lutas ... Você me diz que eu sou desajeitado, eu não sou niguéem.... Ana Nóbrega - Diz (You Say) - Clipe Oficial Assista minha playlist oficial: https://onilnk.com/r/AEsperanca Inscreva-se no meu canal: https://onilnk.com/r/... Lembre-me mais uma vez quem eu sou, porque eu preciso saber Você diz que eu sou amado Quando eu não posso sentir nada Você diz que eu sou forte Quando eu penso que sou fraco Você diz que eu ... Eu sei que eu sou bem mais que uma canção que fala sobre a dor Mais eu peço que me faça lembrar de quem eu realmente sou.. ohoh! Você diz que eu sou amada, quando eu não sinto nada Faixa 10 do nosso DVD 'Prazer, Eu Sou Ferrugem' Ouça no Spotify: http://bit.ly/FerrugemSpotify Siga Ferrugem nas Redes Sociais: Facebook: http://bit.ly/F... Quem Dizes Que Eu Sou - Hillsong Em Português VERSO 1: Quem sou eu pra que o grande Rei Me receba assim Me perdi e Ele me encontrou Seu amor por mim Seu amor...